sexta-feira, abril 21, 2017

FRANÇA: CANDIDATOS "CARISMÁTICOS" NAS ELEIÇÕES DE DOMINGO PRÓXIMO


                                                    NORA PEIXOTO, Socióloga colaboradora da AWID.org

O conceito do “carisma” descreve uma qualidade  extraordinária de liderança , autoridade quase heroica, de um indivíduo frente a seguidores. As origens um tanto obscuras são do antigo uso cristão, em que significava "o dom da graça".

No século XX  o conceito de liderança carismática já era inseparável do pensamento do sociólogo Max Weber (1864-1920).
Na análise de Weber, ter carisma indica uma qualidade excepcional (real ou imaginária) possuída por um indivíduo que é capaz de exercer influência quase hipnótica sobre um grupo de admiradores. O carisma é, ainda sob Weber, capaz de assumir toda uma variedade de aparências correspondendo  à influência no militar, na aatuação política e na religiosa, e sua consequência imediata é afetar os comportamentos cotidianos dos que ficam sob o seu efeito, isto porque carrega uma mística, um messianismo fantasiaso embora seja uma real forma de dominação e autoridade.

Weber contrasta essa forma de dominação não-ortodoxa, de forte carga emocional  com duas outras: a liderança  tradicional (em que a obediência se baseia no costume e na reverência ao precedente, típica das sociedades pré-industriais) e a liderança  jurídico-racional (característica atual onde a conformidade às regras e procedimentos juridicamente estabelecidos são massivamente executados, e onde a submissão é, tipicamente, devida mais à posição do Cargo do que à pessoa). Os modos de dominação tradicional e jurídico-racional são marcadamente diferentes em muitos aspectos. Mesmo assim, ambos compartilham a mesma qualidade tediosa de serem estruturas estáveis, rotineiras e relativamente previsíveis no dia-a-dia. O carisma é explosivo porque expressa emoções, desafia abertamente os modos tradicionais, despreza a rigidez da legalidade impessoal e, em sua forma aguda, volúvel e efêmero.

Quatro aspectos adicionais da discussão de Weber são dignos de nota ainda: as qualidades éticas do líder carismático são irrelevantes para o exercício da liderança; seu dinamismo como indivíduo carismático é que é crucial; o carisma é um fenômeno contingente; a existência e a duração do encanto do carisma dependem, acima de tudo, da reação dos seguidores, ou seja, para manter seu fascínio sobre corações e mentes, o carismático deve ser continuamente exibido e aprovado, por exemplo, as campanhas militares brilhantes e muito festejadas para a população, de Napoleão Bonaparte na França ou de Julio Cesar em Roma. 
É quando a devoção se transforma em indiferença que a mágica do carisma se evapora, então, alerta o Autor, o papel político de líder carismático desaparece sem deixar marcas. 

A contribuição do carisma à estabilidade social, explica Weber, ainda, diferentemente dos movimentos  revolucionários lliderados por partidos ou religiões, se relaciona às questões extremas, urgentes e dolorosas, de forma que o carisma diz respeito à necessidade de “coerência e acomodação" social. Assim, o carisma pode ser um marketing estratégico que se transforma em uma força  útil na manutenção da ordem social, e não ao contrário, com atos estimulantes da ruptura de estruturas sociais.
 Em síntese, eu concluo, o personagem e seu discurso carismático atuam  como legítimos defensores do status quo, sem mudanças substanciais e de iniciativa popular, mesmo que o discurso do líder carismático diga ao contrário.

O cotado novo possível presidente da França Jean-Luc Mélenchon, candidato da ultrarradical esquerda francesa, com seu slogan por “uma França insubmissa" (Talvez  revolucionária? Anarquista?) a meu ver, personifica um autêntico carismático  com seu discurso emocionado e algo teatral, inflamando os franceses da periferia, sua clientela seguidora e sem as luzes tradiconais. Manifesta-se como a mais perfeita personagem do carisma entre os 11 candidatos,também com o mesmo marketing carismático, cujo objetivo mais parece a busca seguidores emotivos, desejosos de um salvador, do que de eleitores. 

 esta é a face mais decadente da França nos últimos tempos : políticos e política incompreensível porque as verdades dos conflitos sociais se escondem em falsas ideias, propostas maquiadas pela trapaça,  comandam os discursos de todos os candidatos independentes de ideologias, numa competição irracional de imoralidade e pouca ou nenhuma ética.

   Estou decepcionada é evidente e este texto é quase um desabafo! Porém, já ouço vozes me acusando: como podes estar falando da má política francesa com tal baixeza na política brasileira? 

_ É um macaco de rabo muito comprido falando do comprimento do rabo do outro!


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Nora Peixoto